Blog dos Jovens Cientistas e Investigadores


Testemunho de Vasco Sá Pinto
Fevereiro 20, 2009, 11:19 am
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 É com o maior prazer que venho aqui deixar o nosso testemunho daquela que terá sido uma das mais entusiasmantes experiências das nossas vidas; e isto dito sem qualquer sentimentalismos, porque a participação no Jovens Cientistas e Investigadores 2008 e tudo o que daí incorreu foi efectiva e objectivamente um dos nossos momentos mais altos e enriquecedores. Embora o nosso grupo seja constituído por 3 elementos – eu, Sérgio e Beatriz – é com explícito consentimento e implícito entendimento de todos que partilharei o nosso percurso.Uma pequena introdução ao grupo: eu e o Sérgio, então estudantes do 12º ano na Escola Secundária Júlio Dinis de Ovar, já nos conhecíamos e estávamos a trabalhar juntos para a disciplina de Área de Projecto, no âmbito da toxicidade dos PCBs; a Beatriz, Escola Secundária de Arouca, também 12º ano, nossa desconhecida na altura, fazia parte também de um projecto semelhante na escola dela. O elemento comum aos dois grupos e eventual motor da cooperação entre os 3 foi aquele que viria a ser o coordenador do grupo no JCI, o professor Filipe Ressurreição.

O prazer que advém da descoberta científica e do realizar de um trabalho de investigação é por si só enorme, mas ter em mira a participação num concurso da dimensão e natureza do JCI foi algo que sempre considerámos muito positivo. Primeiro porque é frequentemente a participação neste tipo de eventos que providencia os contactos e apoios importantes para a realização de novos projectos; em segundo porque é basicamente uma mina de oportunidades e experiências enriquecedoras, não só do ponto de vista intelectual, mas falando também de momentos de diversão e bem-estar. Depois de ter tudo isto dito, é caricato pensar que a nossa participação esteve perto de ser adiada, devido ao incrível atraso no finalizar do nosso projecto que nos fez apresentar o nosso dossier à organização naquela que foi a maior tangente ao prazo limite de entrega da história do JCI.

A selecção do nosso projecto para a II Mostra Nacional de Ciência foi um momento de grande orgulho, estando nós ainda longe de conceber onde tudo aquilo nos iria levar. A participação na Mostra foi o primeiro grande teste ao grupo e à nossa capacidade de defender o projecto; foi no entanto com o mais honesto dos entusiasmos (mais uma vez, sem sentimentalismos, foi mesmo isto que senti) que encarei as rondas de avaliação e as entrevistas com os elementos do júri – neste caso talvez eu, Vasco, em especial, por ser o porta-voz do grupo; mas este nervosismo ‘dinâmico’ era de facto comum aos 3. No entanto, há algo importante: nós fomos para Lisboa com o que eu apelido de “expectativa zero” – não que pensássemos que não teríamos hipótese de ganhar algo, pura e simplesmente não pensávamos em prémios, nem positiva nem negativamente. As rondas com os júris eram excitantes, não porque dali resultaria a nossa classificação final, mas sim porque íamos finalmente estar frente a frente com especialistas na matéria, figuras reconhecidas no meio académico que nos questionariam e escrutinariam o nosso trabalho com verdadeiro rigor científico (mas sempre amavelmente, demarque-se), dando-nos a provar o elã tão característico do mundo da Investigação “à séria”. Paralelamente, fizemos algo que aconselho a todos os que participem num evento do género: visitámos literalmente todos stands e conversámos e criámos amizade com muitos dos outros participantes. Antes de ser uma plataforma de reconhecimento e prémios, este tipo de encontros são, para nós participantes, principalmente uma oportunidade para absorvermos o máximo possível de novas ideias, novas perspectivas e novas amizades. Quando o nosso grupo foi enfim anunciado como vencedor do 1º prémio foi, primeiro, uma surpresa e depois uma onda de satisfação enorme, como é fácil de adivinhar. O que já não será tão fácil de adivinhar é que, para mim (e aqui falo de facto a título pessoal), este não foi o apogeu da minha participação na Mostra; tenho noção que corro um grande risco de me considerarem hipócrita ao dizer isto, mas a mais honesta das verdades é que o que mais prazer me deu foram as conversas com o júri sobre o nosso trabalho e sobre a Investigação em geral. Mas longe de mim menosprezar o prémio que ganhámos, exibo-o com orgulho sempre que a ocasião me permite fazê-lo sem parecer um verdadeiro convencido.

E pensar que tudo isto seria apenas o início de algo ainda maior… Sim, porque estávamos automaticamente seleccionados para participar na Final Europeia do concurso, a realizar na longínqua mas entusiasmante cidade de Copenhaga.