Blog dos Jovens Cientistas e Investigadores


Testemunho de Sandra Lopes
Julho 23, 2009, 10:09 am
Arquivado em: Uncategorized

Sandra Lopes, Stephanie Correia e Iúri Frias, um grupo de três açorianos, acompanhado pelas docentes Odília Macebo e Ana Flores, parte para Houston, Texas, a fim de participar no ISWEEEP – International Sustainable World (Energy, Engineering and Environment) Project Olympiad, de 15 a 20 de Abril de 2009.

Dos 1650 projectos inscritos, foram seleccionados 450 entre os quais “Rota das Lagoas, 27” teve o enorme privilégio de fazer parte. Trata-se de um projecto de cariz científico, dirigido para a envolvente ambiental que reveste as lagoas pertencentes ao Maciço das Sete Cidades, na ilha de S. Miguel, Açores.

Com este projecto já havíamos participado na II Mostra da Ciência, em Lisboa, tendo sido galardoados com uma Menção Honrosa, tal como veio a acontecer no ISWEEEP.

Inicialmente, a grandiosidade do evento deixou-nos perplexos, afinal de contas iríamos participar num concurso internacional, no qual estariam presentes cerca de 600 alunos vindos de todos os continentes, 360 supervisores e 220 júris. No entanto, o receio dissipou-se a partir do momento em que nos começamos a envolver no meio do ambiente eufórico que vibrava entre os participantes.

Pudemos verificar também a existência não só de diversos temas, mas também de temas semelhantes explorados nas suas mais diversas vertentes e das mais variadas formas.

O nosso espírito de equipa foi posto à prova por diversas vezes, bem como a capacidade de improvisar face às inimagináveis curiosidades reveladas pelos júris que pela banca portuguesa passavam. A cada hora que passava e a cada avaliação tida a cabo por um elemento do júri a nossa confiança aumentava e o receio de dizer alguma asneira (já que o inglês não era a nossa língua mãe) era substituído por uma entusiasmante vontade de expor mais e mais informações acerca do projecto.

O contacto com pessoas de culturas e países completamente distintos, cuja facilidade em comunicar em inglês era tão igualada à nossa, tornou tudo tão mais fácil. O medo de não conseguir comunicar tornou-se na mais engraçada aventura pela descoberta de palavras novas nas mais diversas línguas. E assim se fizeram inúmeras amizades, espalhadas por todos os continentes, o que aumentou em larga escala a nossa agenda de contactos.

A meu ver, e dos meus companheiros de grupo, o objectivo deste concurso concretizou-se: desenvolver o interesse e ajudar os jovens a descobrir a importância da sua participação na construção de um futuro melhor para todos.

Por isso, concursos como este, nomeadamente os levados a cabo pela Fundação da Juventude, são sempre uma mais-valia para desenvolver em cada um dos jovens de hoje os valores necessários para que se tornem os adultos de amanhã mais preparados para dirigir um mundo tão cheio de obstáculos à harmonia.



Testemunho de Sérgio Almeida
Maio 25, 2009, 5:11 pm
Arquivado em: Uncategorized

Uma experiência para repetir é assim que à chegada a Portugal, todos os elementos do grupo português descreviam a sua viagem à capital da Dinamarca para participar no vigésimo concurso europeu para jovens cientistas e investigadores.

O ponto de partida da nossa viagem começa cedo, bastante cedo para quem está habituado às horas de acordar das férias de verão. Eram cinco da madrugada, ainda em Portugal, e já os três elementos do grupo sentiam que esta estadia de uma semana no norte da Europa seria um experiência singular. Um travessia comum, foi assim que correu a nossa viagem de avião desde o Porto, passando por Lisboa e finalmente chegando à capital dinamarquesa.

Esta cidade criou um impacto surpreendente em todos os elementos, destacava-se a sua grande diversidade arquitectónica que conjuga os habituais estilos nórdicos com estruturas de características modernas. Um dos grandes edifícios da era moderna presente em Copenhaga é a biblioteca municipal, designada de “Diamante Negro”, pois assemelha-se à forma de um diamante que consoante a exposição solar, reflecte e aparenta brilhar como um diamante verdadeiro. Um facto curioso é que grande parte da população utiliza como meio de transporte a bicicleta. Era usual encontrar em cada canto da cidade, bicicletas encostadas às paredes de casas, isto porque os parques de bicicleta já se encontravam totalmente lotados.

Para esta nova exposição foi-nos pedido a construção de um novo poster. Se a elaboração do poster para Lisboa tinha sido um trabalho exaustivo, imagine-se a disposição quando foi projectado um poster que tinha o triplo da dimensão do primeiro. Na verdade, a criação deste poster não foi somente juntar os dados e copia-los para um tela gigante, mas sim a aprendizagem de novas técnicas de formatação e síntese de um artigo, algo muito útil para elementos que tinham acabado de entrar para o mundo do ensino superior.

Apesar de mais experientes na forma de lidar com os juízes de prova, os nervos e a ansiedade eram dominantes durante os dias de exposição. Ao contrário de Lisboa, existia dias em que apenas a sala se encontrava aberta aos juízes e dias em que era aberta somente ao público. Uma das formas que o grupo encontrou para passar o tempo foi começar a jogar ao vulgar jogo das palavras, este tornou-se um vício até ao final da nossa estadia. Mas, sem dúvida que esta foi uma das grandes experiências da nossa vida, foi-nos dado a conhecer grandes nomes da ciência europeia, que transmitiram o seu vigor e motivação a todos os participantes.

Era o primeiro dia de entrega de prémios, estes designados “Special Prize Awards” , o grupo sentia que as entrevistas tinham corrido de forma razoável, mas não sabia o que lhes reservava a noite. Para nossa surpresa, o embaixador português compareceu a esta entrega de prémios. Foi então que no anúncio do “The Danish Climate Prize” começaram por chamar os nossos nomes, o grupo estranhou, claro que também devido à pronúncia nórdica não se chega a perceber totalmente o nosso nome. O grupo subiu ao palco onde se encontravam o ministro da educação dinamarquês e a directora geral do concurso para entregar o certificado do prémio, e para nossa surpresa uma viagem de novo à capital dinamarquesa para participar no congresso mundial para as alterações climáticas.

É sabido que nunca teríamos conseguido chegar tão longe sem a ajuda de certas pessoas e instituições, uma das pessoas que merece da nossa parte um grande respeito é o professor Filipe Ressurreição, um grande amigo e sem dúvida um exemplo.

Resta-me ainda desejar aos futuros vencedores, primeiro os meus parabéns e em segundo que vivam ao máximo esta experiência única, que sem dúvida vos permitirá uma nova visão das ciências.



Testemunho de Vasco Sá Pinto
Fevereiro 20, 2009, 11:19 am
Arquivado em: Uncategorized
 É com o maior prazer que venho aqui deixar o nosso testemunho daquela que terá sido uma das mais entusiasmantes experiências das nossas vidas; e isto dito sem qualquer sentimentalismos, porque a participação no Jovens Cientistas e Investigadores 2008 e tudo o que daí incorreu foi efectiva e objectivamente um dos nossos momentos mais altos e enriquecedores. Embora o nosso grupo seja constituído por 3 elementos – eu, Sérgio e Beatriz – é com explícito consentimento e implícito entendimento de todos que partilharei o nosso percurso.Uma pequena introdução ao grupo: eu e o Sérgio, então estudantes do 12º ano na Escola Secundária Júlio Dinis de Ovar, já nos conhecíamos e estávamos a trabalhar juntos para a disciplina de Área de Projecto, no âmbito da toxicidade dos PCBs; a Beatriz, Escola Secundária de Arouca, também 12º ano, nossa desconhecida na altura, fazia parte também de um projecto semelhante na escola dela. O elemento comum aos dois grupos e eventual motor da cooperação entre os 3 foi aquele que viria a ser o coordenador do grupo no JCI, o professor Filipe Ressurreição.

O prazer que advém da descoberta científica e do realizar de um trabalho de investigação é por si só enorme, mas ter em mira a participação num concurso da dimensão e natureza do JCI foi algo que sempre considerámos muito positivo. Primeiro porque é frequentemente a participação neste tipo de eventos que providencia os contactos e apoios importantes para a realização de novos projectos; em segundo porque é basicamente uma mina de oportunidades e experiências enriquecedoras, não só do ponto de vista intelectual, mas falando também de momentos de diversão e bem-estar. Depois de ter tudo isto dito, é caricato pensar que a nossa participação esteve perto de ser adiada, devido ao incrível atraso no finalizar do nosso projecto que nos fez apresentar o nosso dossier à organização naquela que foi a maior tangente ao prazo limite de entrega da história do JCI.

A selecção do nosso projecto para a II Mostra Nacional de Ciência foi um momento de grande orgulho, estando nós ainda longe de conceber onde tudo aquilo nos iria levar. A participação na Mostra foi o primeiro grande teste ao grupo e à nossa capacidade de defender o projecto; foi no entanto com o mais honesto dos entusiasmos (mais uma vez, sem sentimentalismos, foi mesmo isto que senti) que encarei as rondas de avaliação e as entrevistas com os elementos do júri – neste caso talvez eu, Vasco, em especial, por ser o porta-voz do grupo; mas este nervosismo ‘dinâmico’ era de facto comum aos 3. No entanto, há algo importante: nós fomos para Lisboa com o que eu apelido de “expectativa zero” – não que pensássemos que não teríamos hipótese de ganhar algo, pura e simplesmente não pensávamos em prémios, nem positiva nem negativamente. As rondas com os júris eram excitantes, não porque dali resultaria a nossa classificação final, mas sim porque íamos finalmente estar frente a frente com especialistas na matéria, figuras reconhecidas no meio académico que nos questionariam e escrutinariam o nosso trabalho com verdadeiro rigor científico (mas sempre amavelmente, demarque-se), dando-nos a provar o elã tão característico do mundo da Investigação “à séria”. Paralelamente, fizemos algo que aconselho a todos os que participem num evento do género: visitámos literalmente todos stands e conversámos e criámos amizade com muitos dos outros participantes. Antes de ser uma plataforma de reconhecimento e prémios, este tipo de encontros são, para nós participantes, principalmente uma oportunidade para absorvermos o máximo possível de novas ideias, novas perspectivas e novas amizades. Quando o nosso grupo foi enfim anunciado como vencedor do 1º prémio foi, primeiro, uma surpresa e depois uma onda de satisfação enorme, como é fácil de adivinhar. O que já não será tão fácil de adivinhar é que, para mim (e aqui falo de facto a título pessoal), este não foi o apogeu da minha participação na Mostra; tenho noção que corro um grande risco de me considerarem hipócrita ao dizer isto, mas a mais honesta das verdades é que o que mais prazer me deu foram as conversas com o júri sobre o nosso trabalho e sobre a Investigação em geral. Mas longe de mim menosprezar o prémio que ganhámos, exibo-o com orgulho sempre que a ocasião me permite fazê-lo sem parecer um verdadeiro convencido.

E pensar que tudo isto seria apenas o início de algo ainda maior… Sim, porque estávamos automaticamente seleccionados para participar na Final Europeia do concurso, a realizar na longínqua mas entusiasmante cidade de Copenhaga.

 



Projecto Jovens Cientistas e Investigadores, 2007 – Por Vanessa Dias
Janeiro 21, 2009, 3:14 pm
Arquivado em: Uncategorized

 

jci3 

 

A minha participação na edição dos Jovens Cientistas e Investigadores 2007 foi fruto de um acaso, que acabou por ser muito feliz. Tomei conhecimento desta iniciativa ao passar pelo balcão da papelaria da escola secundária onde estudei e onde estava um único exemplar sobrante do boletim de inscrição do concurso.

O título, Jovens Cientistas e Investigadores, despertou-me desde logo a curiosidade. Decidi levar o boletim comigo, para ler sobre o que se tratava – um “concurso” nacional, para jovens que gostassem de desenvolver trabalhos de pesquisa e conhecimento, em diversas áreas.

Apesar de estar num curso científico e tendo sido essa também uma das razões pelas quais participei, sempre gostei muito da arte literária e vi assim uma oportunidade de aliar dois dos meus enormes gostos: a escrita e a área das ciências médicas (uma das muitas temáticas em concurso).

O tema surgiu ali de imediato – teria que ser sobre a Obesidade, uma doença que me afectou pessoalmente e sobre a qual recolhia informação há algum tempo, para além de já ter definido na altura que a minha futura profissão teria que ser obrigatoriamente ligada à Dietética e Nutrição.

Com o entusiasmo de poder falar sobre algo muito importante para mim e a noção de que era preciso alertar a população para esta doença “assintomática”, a ideia de participar foi ganhando asas na minha cabeça e guardei assim o boletim de inscrição. A categoria era evidente: Ciências Médicas. O título bastante indiscutível: Obesidade, a Epidemia do Século XIX.

No entanto, com a azáfama e o ritmo do 12º ano, fui deixando a ideia de lado e o tempo passar. Escrevi e redigi o meu trabalho três dias antes do prazo expirar, mas era tão importante e cativante para mim que dediquei os dias e as noites a escrevê-lo – era como se fosse uma necessidade, a vontade de passar a minha mensagem de que nós “Somos aquilo que comemos”.

Consciente de que o resultado não estava tão bom como se tivesse dedicado largas semanas a realizá-lo e apesar de o tema ser-me muito familiar, não tinha expectativas de maior. Fiquei muito surpresa por ter conseguido ficar entre os 57 finalistas a concurso na Mostra de Ciência, uma vez que era a primeira vez que participava num evento deste género.

Foi então necessário realizar um poster que serviria como face do meu trabalho. Como era a primeira vez que estava naquela situação, socorri-me da minha professora coordenadora, Prof. Helena Caetano, que me revira o texto e me ensinou o que era um “poster científico”. Por contratempos e falta de experiência, o poster ficou bastante rudimentar.

Tudo era novo quando pisei, no dia de montagem da exposição, o Museu da Electricidade – as pessoas, os professores, as dezenas de “cientistas” que por lá deambulavam, com posters magníficos e bem acabados, maquetas e engenhocas fantásticas. Confesso que não vi grande hipótese de que se considerasse o meu trabalho admirável ou relevante, pois para mim todos aqueles circuitos eléctricos, plantas, minerais e rochas com pegadas de dinossáurios eram muito mais importantes do que um trabalho sobre “gordos”. Contudo, estava bastante contente por ter chegado tão longe, com um trabalho feito “em cima do cotovelo”, mas sem dúvida com muita dedicação da minha parte.

Atrapalhada e com pouco à vontade, passei a maior parte do tempo junto à minha banca, no primeiro e grande parte do segundo dia. Aos poucos, alguns dos “jovens cientistas” quiseram saber mais sobre o meu trabalho e foi então que percebi que o mais importante de tudo era trocar conhecimentos e impressões, uns com os outros. Dei uma vista de olhos a quase todos os trabalhos e, cada vez mais, via as minhas hipóteses dissiparem-se no ar, mas tal não me entristecia, pois sempre encarara a minha participação como uma “experiência de iniciação”.

O primeiro sintoma de nervosismo surgiu durante a entrevista com os júris. Embora não precisasse de decorar nada, porque tudo fazia parte de mim, a expectativa sobre as perguntas que me seriam apontadas deixava-me com o coração nas mãos – falar em público era algo que eu ainda não dominava e tão pouco queria fazer “má figura”.

A minha júri, a Prof. Dr.ª Raquel Seruca, surpreendeu-me bastante com o seu à vontade e com o seu interesse pelo meu trabalho. Foi então que me disse que não queria saber a teoria de nada, apenas queria que eu falasse sobre o porquê daquele projecto. De certa forma, já esperava aquela pergunta e sabia que não poderia fugir com outra resposta senão a de que tinha sido obesa mórbida e que graças a uma boa alimentação e exercício físico estava, naquele momento, com um peso bastante saudável (embora não quisesse expor a minha história e tendo tido o cuidado de abordar o tema de forma imparcial no trabalho escrito).

A minha posição era assim, unicamente, a de fazer passar o alerta sobre a Obesidade, tratá-la como uma doença e não apenas como “gordura” em excesso. Mais importante ainda: era necessário tratar a Obesidade de forma racional e por métodos naturais (equilíbrio energético e exercício físico).

Rapidamente, percebi então que contar a minha história, as minhas estratégias, as minhas soluções e os meus resultados teria sido uma benesse ao meu trabalho, bem como teria fortificado a minha mensagem. Teria tido mais pontos se tivesse dito que o “experimento” era eu mesma e que a base tinham sido os meus cerca de 50 kg perdidos.

Embora soubesse que muitas pessoas me consideravam um modelo a seguir e procuravam-me a pedir ajuda, a questão da imparcialidade e da privacidade estavam accionados na minha cabeça e, por isso, não gostava de tornar público algo que certamente marcara para sempre a minha vida.

O discurso da Prof. Dr.ª Raquel Seruca deixara-me de certa forma muito contente comigo mesma e fez-me ver que o meu trabalho tinha a sua relevância. Após as primeiras entrevistas e durante o almoço, pude mostrar o que seria a minha “parte experimental” do trabalho, quando a Prof. Seruca veio ter comigo e pediu-me para que lhe “fizesse” o prato. Tentei respeitar as regras e as estratégias.

Metade do prato deveria ser destinado à salada ou aos vegetais. Como não sobrara nada, tentei improvisar com fruta de variadíssimas cores, algo que eu mesma adoptara. Optei pelas carnes frias menos gordurosas e tentei criar um prato apetecível aos olhos, sobretudo, mas pouco calórico.

Penso que me saí bem e era a prova que faltava, a cereja em cima do bolo. Quando terminámos, achei estranho, pois tinha acabado de “escolher” o almoço da minha júri e falado sobre as opções alimentares que eu achava mais correctas, dentro do que havia disponível. Foi algo que me marcou bastante e que ainda hoje recordo com um grande carinho.

O meu poster mal impresso, desbotado e a falta da “parte experimental” não me deixavam contudo pensar que teria alguma hipótese de obter algum reconhecimento. A minha coordenadora, que me acompanhava incansavelmente, confidenciou-me que tinha a sensação de que eu iria receber uma Menção Honrosa, o que eu não conseguia acreditar 100%, embora ficasse extremamente contente – tantos trabalhos, tantos engenhos e tantas mentes brilhantes naquele espaço que para mim uma Menção Honrosa seria o auge!

No grande dia final, na Cerimónia de Entrega dos Prémios, aguardei os resultados com o meu interior totalmente electrificado, nas cadeirinhas dispostas em filas. Quando durante um dos discursos se falou em “dedicação pessoal”, senti de imediato os olhos de quem me acompanhava sobre mim. O meu projecto era de facto um trabalho de grande dedicação pessoal, porque todos os esforços se baseavam numa vontade imensa de defender todos aqueles que sofriam de várias formas, com os seus quilos a mais, e numa paixão enorme pela Nutrição.

Os nomes foram sendo revelados. Primeiro as Menções Honrosas. Uma, duas, três… e o meu nome não constou. A minha esperança sumiu quando terminaram as Menções Honrosas; mas senti que tinha valido muito participar naquele evento.

Após as Menções Honrosas, vieram os Prémios. Quarto lugar. Terceiro lugar… e o coração parou. O meu nome soou algures e só sabia que supostamente deveria levantar-me. Lembro-me de dizer algo como “Então, Prof. Helena, vamos?”, com uma naturalidade tal que nunca pensei que fosse possível. Talvez soubesse, lá no fundo, que aquilo que eu fizera tinha um significado especial, tocava mais ao ser-humano do que as leis gravitacionais. Recebi assim o 3º Prémio.

Sem saber ainda que as surpresas não ficavam por ali, voltei a sentar-me junto dos meus pais, que sempre me acompanharam e que ficaram realmente emocionados e contentes pelo meu feito. Seguiram-se o 2º e 1º Prémios.

Sentada na minha cadeirinha e com a cabeça a mil à hora, não voltei a ouvir mais nada, até que o meu nome e o do meu projecto voltaram a ser novamente proferidos – tinha acabado de ser seleccionada para uma das participações internacionais, a International Science and Engineering Fair, a decorrer nos EUA. Era o impossível a ser tornado possível, mais uma vez!

Aquele evento tinha acabado de abrir muitas portas, especialmente naquilo que eu considerava ser “a minha missão”. Tornara-me confiante na qualidade do meu trabalho e naquilo que eram as minhas capacidades. Propiciara-me novas oportunidades, como a minha participação na INTEL ISEF 2008, em Maio de 2008, experiência esta igualmente especial, que me permitiu ter um contacto directo com um dos países onde o número de obesos é extremamente alarmante.

A minha participação nos Jovens Cientistas e Investigadores foi sem dúvida o início de um currículo que me permitiu hoje ser reconhecida, não só por aqueles que acompanharam o meu processo e os meus trabalhos, mas também por outras entidades, como o Instituto de Investigação Científica Tropical que me concedeu uma Bolsa de Integração na Investigação, na área “Crescimento e Nutrição”.

Desde então que tento estar sempre envolvida em projectos ligados às Ciências da Nutrição, desenvolvo estudos autónomos sobre os comportamentos alimentares e colaboro ainda em alguns eventos ligados à alimentação, sobretudo relacionados com os jovens, contanto o meu caso de obesidade mórbida e alertando para os perigos e soluções desta doença.

Além de todo o desenvolvimento das minhas capacidades e conhecimentos, o Jovens Cientistas e Investigadores permitiu-me crescer quer academica, quer pessoalmente, uma vez que passei a acreditar nas minhas skills e competências, enquanto jovem “cientista e investigadora” – considero mesmo que a maior “lição” desta experiência foi perceber que mesmo sem grandes meios e sem os apoios que muitos dos outros jovens por vezes têm (escolas, universidades, laboratórios…), o que conta e o mais importante, para se ter um trabalho relevante, são a nossa dedicação e o amor que depositamos no nosso projecto.